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Polícia desmantela quadrilha que lavou R$ 4 milhões com criptomoedas

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) realizou, na quinta-feira (21), a Operação Love Hurts, um esforço massivo para desmantelar uma organização criminosa que atuava em vários estados. O foco da operação foram os crimes de extorsão sexual e lavagem de dinheiro utilizando criptomoedas.

Essa ação contou com o suporte do Ministério da Justiça, através de unidades de inteligência. Os investigadores descobriram que, em apenas dois meses, essa quadrilha movimentou impressionantes R$ 4 milhões por meio de fraudes amorosas na internet. Mais de 20 vítimas, de diversas partes do Brasil, foram enganadas com promessas de relacionamentos e casamentos fictícios. Como resultado, foram emitidos 10 mandados judiciais, sendo cinco para prisão e cinco para busca e apreensão.

Fraudes de sedução e o uso de criptoativos no esquema

A cooperação entre as polícias civis de estados como Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte foi fundamental. Juntas, elas buscaram enfraquecer a estrutura financeira do grupo que aplicava golpes de sedução. Os policiais cumpriram os mandados em cinco cidades e apreenderam celulares, que passarão por perícia para ajudar nas investigações e identificar outros possíveis envolvidos.

A trama começou em 2024 com a criação de perfis falsos em redes sociais. O criminoso se apresentava como um médico oncologista chamado David Green, alegando estar em uma missão de paz na Síria. Ele utilizava essas histórias para conquistar a confiança de suas vítimas.

Ameaças virtuais e lavagem de capital no Brasil

Depois de conquistar a confiança, o golpista manipularia as mulheres emocionalmente, frequentemente pedindo fotos e vídeos íntimos. Assim que ganhava essas imagens, começavam as ameaças: sob a falsa alegação de que tinha problemas relacionados a passagens aéreas e transporte de ouro na Áustria, ele exigia grandes quantias de dinheiro. Em alguns casos, chegou a exigir R$ 20 mil para não expor o conteúdo íntimo das vítimas.

Uma das mulheres afetadas perdeu impressionantes R$ 63 mil por causa dessa fraude e decidiu procurar ajuda das autoridades, relatando os impactos psicológicos da chantagem.

Operadores convertiam quantias roubadas em criptomoedas

O delegado Kelvin Bressan, que lidera a investigação, explicou que as abordagens partiam de um número telefônico registrado na Nigéria. Isso indica uma rede nacional focada em ocultar os lucros obtidos com as fraudes. A quadrilha conseguia lavar o dinheiro através de contas bancárias, facilitando a conversão dos valores roubados em criptomoedas, o que dificulta o rastreio por parte das autoridades.

Muitas das mulheres que receberam transferências de dinheiro nos relatos de ocorrência acabaram se tornando beneficiárias das quantias desviadas.

Forças de segurança buscam reparação dos danos

Essa operação conjunta contra os crimes cibernéticos tem um papel importante em proteger as mulheres e combater a violência patrimonial no ambiente digital. Desde 20 de maio de 2026, a lei federal de proteção feminina passou a contar com novas regras, aumentando a eficácia nas punições.

As penas para crimes graves como extorsão qualificada, lavagem de dinheiro e organização criminosa podem ultrapassar 20 anos de prisão. O Ciberlab, um laboratório de operações cibernéticas, tem sido crucial na identificação dessas redes de estelionato.

O nome da operação, que significa “o amor machuca”, reflete bem a gravidade dessas fraudes e o compromisso das autoridades em identificar todos os membros dessa rede e garantir que as vítimas tenham seus danos reparados.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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