Faraó dos bitcoins tem indulto negado pelo STJ
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu não liberar Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como o Faraó dos Bitcoins. Ele cumpre pena por crimes relacionados ao sistema financeiro e fraudes com criptomoedas, após liderar a GAS Consultoria, que operava em Cabo Frio, no Rio de Janeiro. A decisão, conforme noticiado recentemente, foi motivada pela gravidade dos delitos que cometeu.
A defesa tentou um indulto com base em um decreto presidencial. Para isso, argumentaram que Glaidson não tinha condições financeiras de reparar os danos ocasionados aos clientes, usando inclusive a atuação da Defensoria Pública do Distrito Federal como apoio. Porém, o tribunal não aceitou essa justificativa, considerando os altos valores que giravam em torno de seu esquema de pirâmide financeira.
Por conta disso, ficou claro que o benefício da liberdade exige que ele repare os prejuízos causados aos lesados. Como o processo se desenrolou, a Ministra Nilsoni de Freitas, relatora do caso na corte, destacou que a falta de devolução dos valores envolvidos foi um fator decisivo para a negativa do pedido.
### Motivos para a Negativa do Indulto
Um dos pontos que mais pesou na decisão do STJ foi o fato de que Glaidson não devolveu o dinheiro de suas vítimas. Um documento do processo revelou que ele subtraiu R$ 7 mil de apenas uma delas. Além disso, as fraudes realizadas por ele foram de tal magnitude que chegaram a bilhões de reais, o que claramente afastou a hipótese de que ele estivesse em situação de vulnerabilidade financeira.
Quando se trata de indultos, existem regras específicas que determinam que é preciso quitar as dívidas provenientes de crimes que não envolvem violência. Exceções existem, mas são raras e se aplicam a casos onde a incapacidade econômica é comprovada. A defesa de Glaidson tentou argumentar com base na presunção de pobreza, mas os lucros ilegais que ele obteve arruinaram essa linha de raciocínio.
### Lucros Ilegais e Presunção de Pobreza
A Operação Kryptos foi mencionada como evidência da renda alta adquirida por Glaidson através de suas atividades fraudulentas. A Polícia Federal investigou o desvio de R$ 38 bilhões naquele esquema envolvendo bitcoins, um montante que, sem dúvida, inviabiliza qualquer alegação de que ele estivesse em condição de pobreza.
Para a Justiça, conceder um indulto nesse contexto seria premiar alguém que ainda não compensou os prejuízos que causou a terceiros. E, na prática, isso significa que os juízes exigem a regularização das dívidas antes que qualquer pedido de soltura possa ser considerado.
Por fim, vale lembrar que a situação não é fácil nem para os familiares de Glaidson. Recentemente, sua esposa, Mirelis Zerpa, tentou um habeas corpus, reclamando que as condições de prisão não respeitam sua dieta vegana. No entanto, esse pedido de liberdade também foi negado pela Justiça.





