Computador quântico da Arábia Saudita pode impactar o Bitcoin?
A Arábia Saudita acaba de dar um passo importante na corrida pela tecnologia quântica ao anunciar a instalação do seu primeiro computador quântico. A empresa estatal de energia e produtos químicos, a Saudi Aramco, revelou que essa inovação pode ter um impacto significativo nas redes de criptomoedas, como o Bitcoin.
O computador quântico, com capacidade de 200 qubits, foi desenvolvido pela Pasqal, uma empresa francesa especializada em computação quântica com átomos neutros. Essa máquina foi instalada em um dos centros de dados da Aramco em Dhahran e visa aplicações práticas, como modelagem de energia e pesquisa de novos materiais.
Loïc Henriet, CEO da Pasqal, comentou que essa é a máquina mais poderosa que a empresa já criou. Para quem não sabe, um qubit, ou bit quântico, é a menor unidade de um computador quântico, essencial para suas operações. A instalação do referido sistema marca um avanço significativo para a Arábia Saudita no cenário do Oriente Médio, onde a tecnologia quântica está em expansão.
A iniciativa chama a atenção, pois coloca o país alinhado com várias nações como Estados Unidos, China e União Europeia, que também investem em computação quântica para aprimorar suas capacidades em pesquisa e inovação. Mas por que isso é tão relevante para o Bitcoin e outras criptomoedas?
Uma ameaça real ou apenas especulação?
Yoon Auh, fundador da Bolts Technologies, destacou que os avanços rápidos na tecnologia quântica não podem ser ignorados. Segundo ele, as melhorias são esperadas e a ameaça às criptografias tradicionais já deixou de ser apenas teórica. Embora, atualmente, algoritmos de criptografia como o ECC e o RSA ainda estejam preservados, o progresso é constante e pode trazer preocupações.
Auh observou que a computação quântica tem o potencial de se transformar em uma arma digital sem controle político, além de poder comprometer não apenas o Bitcoin, mas também outros sistemas de segurança essenciais para a economia global.
Contudo, Ian MacCormack, pesquisador científico, ressaltou que o computador quântico da Aramco ainda é considerado pequeno quando comparado a máquinas que podem um dia representar um risco real à criptografia. Os 200 qubits podem realizar experimentos interessantes, mas estão longe de quebrar sistemas criptográficos complexos, como o que protege o Bitcoin.
Olhando para o futuro
Pesquisadores do Caltech recentemente apresentaram um sistema com 6.000 qubits, mas mesmo esses dispositivos ainda estão sendo usados principalmente para pesquisa e desenvolvimento. Eles precisam de um tempo de coerência longo para realizar operações efetivas, algo crucial para ameaçar a segurança da criptografia moderna.
Embora o novo sistema da Pasqal não mude a segurança atual das criptomoedas, ele trouxe de volta à tona o chamado Q-Day. Esse é o dia em que um computador quântico pode potencialmente derivar uma chave privada a partir de uma chave pública, o que poderia impactar seriamente a segurança do Bitcoin.
Justin Thaler, pesquisador da Andreessen Horowitz, mencionou que um computador quântico poderia falsificar as assinaturas digitais necessárias para realizar transações de Bitcoin, permitindo que alguém não autorizado retire fundos. Esse é um dos cenários mais preocupantes discutidos atualmente.
Os computadores quânticos em estágio inicial, como o da Pasqal e o chip do Google, ainda estão longe de atingir a capacidade de realizar tais ataques. Especialistas, como Christopher Peikert, da Universidade de Michigan, acreditam que a computação quântica pode, sim, representar um risco significativo no longo prazo, mas ainda estamos longe de um cenário iminente de ameaça.
Para o momento, a corrida quântica continua, mas a segurança do Bitcoin e outras criptomoedas permanece intacta, mesmo que essa tecnologia esteja avançando rapidamente.





