Computadores quânticos podem comprometer o Bitcoin até 2042
A Project Eleven divulgou um relatório de 110 páginas em que alerta sobre os riscos que os computadores quânticos podem trazer para o Bitcoin e outras criptomoedas. Segundo eles, existe a possibilidade do que chamam de “Q-Day” ocorrer entre 2030 e 2042. Essa data, no entanto, não é certa, já que a evolução dos computadores quânticos pode surpreender os desenvolvedores a qualquer momento.
No mês passado, o projeto ofereceu um prêmio de 1 Bitcoin para um pesquisador que conseguiu quebrar uma chave de criptografia ECC de 15 bits. Mas, vale lembrar que esse feito não teve a ver com o uso de um computador quântico, conforme afirmam os especialistas.
Três Datas Possíveis para o “Q-Day”
A computação quântica virou assunto quente entre investidores de Bitcoin e outras cryptos recentemente. Enquanto muitos acham que precisamos de soluções rápidas — como endereços que resistam a essa nova tecnologia — outros acreditam que essa preocupação pode ser exagerada e, até, causar pânico desnecessário no mercado.
Para a Project Eleven, o perigo é real e pode impactar as carteiras mais cedo do que se imagina, já em 2030. Eles analisam diversos fatores, como o aumento no número de qubits físicos e a eficiência na correção de erros, para projetar três possíveis datas para o Q-Day.
E um detalhe interessante é que a evolução desses computadores não acontece de forma linear, ou seja, desenvolvimentos significativos podem surgir de uma vez, pegando muitos de surpresa.
Cerca de 7 Milhões de Bitcoins Estão Vulneráveis
Focando especificamente no Bitcoin, o estudo revela que uma grande quantidade de endereços reutilizados expõe suas chaves públicas. No total, cerca de 6,9 milhões de Bitcoins estão vulneráveis, o que representa 32% do total da criptomoeda. Isso é um alerta importante para os usuários.
Para o Ethereum, que adota um modelo diferente, o panorama é ainda mais preocupante. O relatório aponta que 65% das moedas estão expostas a ataques quânticos. As stablecoins, segundo os analistas, enfrentam riscos ainda maiores. Nesse caso, os hackers poderiam direcionar seus ataques não a carteiras isoladas, mas a controlar as chaves que gerenciam contratos inteligentes.
A comparação é clara: enquanto um atacante com capacidades quânticas poderia drenar Bitcoins de endereços individuais, no caso das stablecoins, ao acessar a chave de administração, todo o sistema poderia ser comprometido.
Quando o assunto são outras criptomoedas, como Solana, Sui, Aptos, Near e Stellar, a situação é alarmante — 100% dos endereços estão vulneráveis.
O relatório também oferece recomendações e discute as diferenças em relação à migração de sistemas tradicionais, os impactos e possíveis formas de mitigação. Ao final, faz uma afirmação importante: a transição para um ambiente pós-quântico não é apenas um futuro distante; é um desafio que precisamos enfrentar já.
Resta claro que a questão não é puramente técnica; os padrões existem, os algoritmos funcionam e as implementações estão disponíveis. O grande desafio agora é a coordenação, a urgência e a disposição de se aceitar os custos da migração.





