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Fluxo ilícito de criptomoedas para corretoras brasileiras se complexifica

A Chainalysis, uma importante empresa que atua na segurança e inteligência do setor de criptomoedas, divulgou um relatório recente sobre a movimentação de fundos ilícitos nas corretoras brasileiras. Um ponto interessante que eles destacam é a mudança na composição dessas transações, que começou a se intensificar em 2024.

Esse fenômeno está relacionado ao uso crescente de criptomoedas por cartéis de drogas, além de uma nova conexão com serviços sancionados na Rússia. Já em 2025, o cenário se amplia com o aumento das redes de lavagem de dinheiro na língua chinesa, que começam a se estabelecer no Brasil.

A análise também menciona o progresso nas regulações brasileiras, especialmente as Resoluções 519, 520 e 521 do Banco Central, que passaram a intensificar a fiscalização do mercado a partir de novembro de 2025.

Brasil: um dos líderes em adoção de criptomoedas, mas com um lado obscuro

A Chainalysis revela que entre julho de 2024 e junho de 2025, o Brasil recebeu cerca de US$ 318 bilhões em criptomoedas. Esse número coloca o país na 5ª posição global em adoção de criptomoedas. A popularidade se deve, em parte, à grande população jovem e à forte presença de fintechs que facilitam esse tipo de operação. Além disso, muitos brasileiros têm buscado stablecoins atreladas ao dólar como forma de proteção contra a inflação.

No entanto, nem tudo são flores. O relatório agora também aponta o uso das criptomoedas por criminosos. Como destacam os analistas, “o crime com criptomoedas não conhece fronteiras”. As organizações envolvidas em lavagem de dinheiro e tráfico de drogas estão cada vez mais ativas nas exchanges brasileiras, representando mais de 50% do volume ilícito detectado em 2025.

De 2020 a 2025, o valor de criptomoedas ilícitas no Brasil saltou de US$ 11 bilhões para US$ 154 bilhões. Entre os casos citados estão transações envolvendo cartéis e redes de lavagem de dinheiro que utilizam principalmente a língua chinesa.

O desafio do combate aos fluxos ilícitos

Nos dados analisados, nota-se que os criminosos estão dividindo suas operações em vários pontos para não serem facilmente detectados. Apesar disso, os cinco endereços de depósito mais ativos representam de 75% a 90% do volume total de transações ilícitas. Isso indica que, embora exista um esforço para difundir os fluxos, ainda é possível rastrear muitos deles.

A regulação em destaque

Ao final do relatório, a Chainalysis comenta sobre as recentes mudanças nas regulamentações brasileiras. As Resoluções 519, 520 e 521, que entraram em vigor em fevereiro de 2026, introduzem um sistema de licenciamento para corretoras e outras empresas do setor. Além disso, a Lei nº 15.358 amplia os poderes das autoridades para bloquear e confiscar criptomoedas ligadas a atividades criminosas.

Essas moveções regulatórias são vistas como um avanço significativo na luta contra o uso inadequado das criptomoedas. Um setor de exchanges mais regulado torna o ambiente muito menos favorável para redes envolvidas em lavagem de dinheiro.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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