Justiça condena ucraniano por infiltrar hackers norte-coreanos nos EUA
A Justiça dos Estados Unidos tomou uma decisão importante recentemente, ao condenar Oleksandr Didenko, um ucraniano de 29 anos, a cinco anos de prisão. O motivo? Ele criou um esquema de roubo de identidades para empregar trabalhadores da Coreia do Norte em mais de 40 empresas de tecnologia nos EUA.
Didenko admitiu sua culpa em novembro de 2025, enfrentando acusações de fraude eletrônica e roubo de identidade. O juiz Randolph D. Moss também determinou que ele devolvesse cerca de US$ 1,4 milhão, que inclui dinheiro e criptomoedas que foram confiscadas durante o processo. Além disso, Didenko terá que pagar US$ 46 mil em reparações.
A investigação revelou um site chamado “Upworksell.com”, que funcionava como um verdadeiro mercado paralelo. Profissionais de tecnologia estrangeiros poderiam comprar ou alugar perfis falsos nesse site. Com essas identidades, norte-coreanos conseguiam se inscrever em vagas de trabalho remoto na Califórnia e na Pensilvânia.
A logística das “fazendas de laptops” enganava empresas em solo americano
O esquema de Didenko era bastante elaborado. Ele utilizava uma estrutura física nos Estados Unidos para disfarçar a operação. Ele pagava moradores de estados como Virgínia, Tennessee e Califórnia para hospedarem computadores em suas casas. Isso ajudava a esconder a real localização dos trabalhadores.
No total, a fraude gerenciou 871 identidades falsas e criou pelo menos três centrais de equipamentos. E o mais surpreendente é que todo o fluxo de dinheiro evitava os bancos tradicionais americanos! A operação usava meios alternativos para fazer transferências e enviar salários para contas estrangeiras. Assim, trabalhadores faturaram centenas de milhares de dólares, tudo registrado falsamente sob nomes de cidadãos reais.
Segurança nacional e armas nucleares pesaram na condenação
As autoridades tratam esta situação com a seriedade que ela merece, considerando um risco direto à segurança nacional. A procuradora Jeanine Ferris Pirro destacou que o dinheiro que esses trabalhadores recebiam provavelmente alimentava o programa de munições nucleares da Coreia do Norte.
Ela mencionou que esse regime se comporta como um inimigo interno, ao roubar informações e dados sensíveis de empresas americanas. O FBI, por sua vez, fez um alerta para as companhias que contratam equipes remotas, avisando que estão na mira por conta de fraudes como essa.
Roman Rozhavsky, diretor assistente de contraespionagem, deixou claro que a agência perseguirá todos que ajudem a fraudar a economia do país. James Barnacle, chefe do FBI em Nova York, foi mais contundente ao chamar a operação de “uma porta dos fundos clandestina” para o mercado de trabalho americano.
A queda do esquema começou em maio de 2024, quando o Departamento de Justiça confiscou o domínio do site e redirecionou seu tráfego para os servidores do FBI. Didenko foi preso pelas autoridades polonesas e extraditado para os Estados Unidos no último dia do ano de 2024. Agora, além da pena de cinco anos de prisão, ele terá mais 12 meses de liberdade supervisionada após cumprir sua sentença.





