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Saga suspende blockchain após ataque de US$ 7 milhões

A blockchain Saga anunciou a pausa em sua rede principal após um ataque que resultou na retirada de cerca de US$ 7 milhões em ativos. Esse episódio trouxe um impacto rápido ao mercado: o valor total bloqueado do ecossistema caiu de US$ 37 milhões para aproximadamente US$ 16 milhões em questão de 24 horas. Isso representa uma queda de 55% e acontece em um momento já delicado para o setor, onde as perdas totais superam US$ 3,4 bilhões em protocolos DeFi nos anos de 2025 e 2026.

O que aconteceu com a Saga e por que isso é importante?

A Saga é uma blockchain de camada 1 com foco em modularidade e interoperabilidade. Lançada para permitir a criação de “chainlets” personalizáveis, ela promete atender aplicações específicas. Em dezembro de 2024, o projeto já havia introduzido a versão Mainnet 2.0, que visava minimizar a fragmentação de liquidez, atraindo assim novos investimentos.

De acordo com informações, o ataque foi realizado por meio de uma manobra coordenada envolvendo contratos inteligentes e operações cross-chain, resultando na retirada de US$ 7 milhões em ativos como USDC, ETH, yUSD e tBTC. Esse tipo de ataque também explora uma das maiores vulnerabilidades do DeFi: as bridges entre blockchains.

Para nós, investidores brasileiros, é um alerta claro. O envolvimento em protocolos DeFi pode levar a perdas significativas, especialmente quando a liquidez é baixa e o projeto ainda está em desenvolvimento.

Desvalorização da stablecoin afeta o ecossistema

O ataque teve um efeito colateral direto: a stablecoin Saga Dollar perdeu sua paridade com o dólar e chegou a ser negociada por US$ 0,75. Outras moedas do ecossistema, como Colt e Mustang, também enfrentaram queda em seu valor.

Essa desvalorização indica uma quebra de confiança e uma pressão de venda, já que as stablecoins dependendo de reservas e mecanismos de arbitragem para manter o valor estável. Quando isso falha, os investidores tendem a sacar seus ativos, o que agrava a redução do TVL.

Informações indicam que o hacker transferiu os fundos para a rede Ethereum e converteu parte deles para ETH. Embora o endereço criminoso tenha sido identificado e algumas exchanges estejam bloqueando-o, a recuperação total dos valores ainda é considerada incerta.

Implicações para o mercado DeFi e blockchains novatas

O que ocorreu com a Saga destaca um padrão preocupante: mesmo projetos novos com tecnologia promissora estão suscetíveis a ataques mais sofisticados. Nos últimos dois anos, ataques cross-chain se tornaram mais frequentes devido à complexidade das bridges.

Blockchains concorrentes, como as que usam Cosmos SDK ou subnets da Avalanche, podem se beneficiar da migração de investidores em busca de maior segurança. Porém, eventos como esse aumentam a desconfiança em relação aos riscos das blockchains novatas.

Para o investidor brasileiro, a lição é clara: é essencial analisar outros critérios além do preço do token. Métricas como TVL (Valor Total Bloqueado), histórico de auditorias e a dependência de bridges são fundamentais antes de investir em novos projetos.

Risco ou chance de recuperação no longo prazo?

A pausa na rede é uma medida para conter os danos, mas também revela a fragilidade do projeto nesse estágio. O sucesso da Saga em se recuperar dependerá de melhorias técnicas, compensações e, especialmente, da reconstrução da confiança no projeto.

Num cenário mais positivo, a saga pode aproveitar essa situação para fortalecer suas medidas de segurança e governança. No entanto, até que haja dados concretos mostrando a recuperação do TVL e a estabilização das stablecoins, o ativo continuará com um perfil bastante especulativo.

Esse ataque à Saga nos serve como um lembrete de que, no mundo do DeFi, as oportunidades de retorno frequentemente vêm acompanhadas de riscos técnicos elevados. Para nós que estamos investindo aqui no Brasil, a cautela e a diversificação continuam a ser as melhores formas de se proteger.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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