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Senadores dos EUA solicitam investigação da Binance por sanções

A Binance, maior exchange de criptomoedas do mundo, voltou a ser alvo de uma pressão política intensa nos Estados Unidos. Recentemente, um grupo de senadores democratas enviou uma carta à Procuradora-Geral, Pam Bondi, e ao Secretário do Tesouro, Scott Bessent, pedindo uma investigação sobre as operações da plataforma. As preocupações surgem após denúncias de que a Binance estaria facilitando a evasão de sanções econômicas.

Esse movimento acontece cerca de dois anos depois que a exchange firmou um acordo histórico de US$ 4 bilhões (cerca de R$ 23 bilhões) com o Departamento de Justiça, reconhecendo falhas em seu sistema de combate à lavagem de dinheiro. A nova pressão política indica que a fiscalização sobre a Binance ainda está longe do fim, o que pode criar um clima de incerteza no mercado justo quando grandes investidores estão ajustando suas estratégias.

Motivos da pressão política

Os legisladores americanos estão questionando se a Binance realmente fez as mudanças necessárias após o acordo de 2023 ou se ainda permite que fluxos de dinheiro ilícito passem pela plataforma. O que está em jogo não é somente uma questão burocrática, mas sim uma disputa geopolítica: há suspeitas de que a exchange tenha sido usada para contornar sanções impostas a países como o Irã.

As preocupações dos senadores são respaldadas por reportagens recentes que apontam novos intermediários operando na corretora, supostamente para esconder a origem de fundos sancionados. Essa pressão regulatória não é um fenômeno isolado; reflete um endurecimento das regras contra o setor de criptomoedas nos EUA, onde outras exchanges, como Coinbase e Kraken, também estão se adaptando às novas exigências para atrair investimentos de forma mais segura.

Para o mercado, a possibilidade de uma nova investigação gera medo de multas ou restrições que poderiam impactar a liquidez global e testar a resistência da Binance novamente.

Aspectos relevantes da investigação

Essa movimentação política traz à tona detalhes sobre as inflações suspeitas e os envolvidos, indicando que os senadores têm informações sólidas, provenientes de relatórios de inteligência financeira e jornalismo investigativo.

  • Quem está por trás da pressão: A carta foi liderada pelo senador Chris Van Hollen, com o apoio de outros 10 democratas, como Elizabeth Warren, que é conhecida por criticar o setor cripto. O objetivo é pressionar o novo governo a não ser complacente.

  • Entidades em foco: Investigadores internos da Binance relataram a identificação de duas entidades, a Hexa Whale e o Blessed Trust, que teriam sido utilizadas como intermediárias para lavagem de dinheiro e transações com o governo iraniano.

  • Volume de recursos: Conforme documentos mencionados em uma carta de Richard Blumenthal, as transferências ligadas a contas do Irã podem totalizar até US$ 1,7 bilhão (aproximadamente R$ 9,8 bilhões).

  • Conflito interno: Há alegações de que a equipe de compliance que detectou esses problemas foi desacreditada ou punida, algo que a Binance negou, enfatizando que sua exposição a sanções caiu 97% de 2024 a 2026.

  • Momento político: Essa pressão surge num contexto sensível, logo após o ex-CEO Changpeng “CZ” Zhao ter recebido um indulto presidencial, o que adiciona um tom político ao cenário de fiscalização.

Impacto no investidor brasileiro

Para quem investe no Brasil, a Binance não é apenas uma opção, mas muitas vezes a principal plataforma para negociar no mercado de criptomoedas. Uma investigação como essa pode causar reações que vão além das fronteiras americanas, afetando particularmente a liquidez e a percepção de risco.

Um aspecto a ser observado é a relação com o Real (BRL). Embora a operação brasileira funcione de forma independente, a liquidez dos pares de negociação é global. Se a matriz enfrentar restrições bancárias ou bloqueios, pode haver aumento no spread (diferença entre preço de compra e venda) ou atrasos em saques, como já aconteceu em períodos de crise.

Além disso, a Binance deve endurecer sua conformidade com as sanções americanas globalmente. Isso pode resultar em processos de KYC (Conheça Seu Cliente) mais rigorosos para usuários brasileiros, com bloqueios de contas que tenham qualquer interação, mesmo que indireta, com carteiras consideradas arriscadas. Os investidores devem diversificar seus ativos, evitando manter 100% do capital em uma única plataforma e buscando alternativas em outras exchanges ou carteiras próprias.

Riscos a considerar

O principal risco a curto prazo é a reabertura de investigações cuja resolução parecia garantida, o que poderia afetar a reputação da exchange e assustar investidores. O mercado costuma reagir rapidamente a incertezas regulatórias, e já se observam movimentações atípicas no fluxo de capitais.

Recentemente, grandes volumes de BTC foram transferidos para a Binance, um padrão que costuma preceder volatilidade ou antecipar notícias significativas. Se esses fluxos de saída se intensificarem após a notícia da investigação, o preço do BNB e a estabilidade do mercado podem ser testados.

Vale a pena acompanhar a resposta oficial do Departamento de Justiça (DOJ) nas próximas semanas. A ausência de um posicionamento ou a abertura de uma investigação formal pode influenciar diretamente o humor do mercado. As próximas semanas serão cruciais para entender se estamos diante de mais uma disputa política ou do início de um novo capítulo jurídico para a Binance.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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