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Strategy diz que resiste até com Bitcoin a US$ 8 mil

A Strategy Inc., a maior empresa que detém Bitcoin no mundo, fez uma declaração importante esta semana. Ela garantiu ter uma situação financeira sólida o suficiente para enfrentar até mesmo um colapso drástico no preço do Bitcoin, que poderia cair para cerca de US$ 8.000 (aproximadamente R$ 45.600). Com o mercado passando por correções após atingir picos históricos acima de US$ 90.000, a companhia, liderada por Michael Saylor, tranquilizou seus investidores em relação à sua capacidade de gerenciar dívidas.

O que parece estar em jogo aqui é a preocupação do mercado com a capacidade da Strategy em honrar suas obrigações financeiras. Em resumo, se o preço do Bitcoin despencar, isso poderia colocar a empresa sob pressão. No entanto, a Strategy explicou que não tem urgência em obter liquidez, já que suas dívidas não vencem antes de 2027. Isso dá um tempo precioso para que a empresa se posicione adequadamente.

Além disso, um dos trunfos da Strategy é que ela pode “equitizar” sua dívida, ou seja, converter essas obrigações em ações em vez de pagar em dinheiro. Com isso, evita-se a necessidade de vender os Bitcoins em momentos desfavoráveis, o que poderia prejudicar ainda mais seus ativos. Para quem acompanha o mercado, essa estratégia é uma forma inteligente de mostrar resiliência, mesmo em cenários adversos.

O que explica a movimentação atual?

A situação atual do mercado exige um olhar atento sobre como a capacidade da Strategy de lidar com suas obrigações reflete na confiança dos investidores. Em uma análise rápida, a empresa divulgou que, com o Bitcoin a US$ 69.000, suas reservas totalizam cerca de US$ 49,3 bilhões, enquanto sua dívida líquida é de US$ 6 bilhões. Isso dá uma relação de 8,3 vezes entre ativos e dívidas.

  • Nível de Suporte Crítico: US$ 8.000 (R$ 45.600). Nesse cenário extremo de queda de 88%, ainda haveria ativos suficientes para cobrir a dívida.
  • Vencimentos de Dívida: As dívidas são estruturadas para prazos mais longos e não têm cláusulas restritivas relacionadas ao preço do Bitcoin.

Analistas de instituições financeiras confirmam essa visão, destacando que a falta de alavancagem comum, como empréstimos que podem ser exigidos de forma imediata, ajuda a proteger a empresa da volatilidade de curto prazo.

Impacto para o investidor brasileiro

Para quem investe no Brasil, a situação da Strategy é um sinal importante. Se a empresa tivesse que vender suas participações a preços baixos, isso poderia causar um efeito cascata, fazendo o valor do Bitcoin cair de forma rápida em relação ao real. Saber que a empresa consegue suportar o Bitcoin a preços tão baixos ajuda a reduzir um “risco sistêmico” imediato do mercado.

Entretanto, é preciso cautela. Mesmo que a Strategy consiga sustentar os preços, a vasta maioria dos investidores de varejo não tem essa mesma margem de segurança. Isso traz à tona a importância de não operar com alavancagem excessiva. O comportamento do Bitcoin tem um efeito direto nas carteiras dos investidores domésticos. Os recentes altos e baixos são um alerta sobre como perdas não realizadas podem afetar o sentimento do mercado, mesmo que os fundamentos para o investimento permaneçam.

Riscos e contrapontos no radar

Apesar do otimismo do CEO Phong Le e de Michael Saylor com o futuro, o mercado ainda está alerta para os riscos. A Strategy, por exemplo, teve perdas significativas no que se refere à contabilidade devido à oscilação do mercado, mas Le deixou claro que isso não afeta o caixa da companhia. Ele reconheceu que, se o Bitcoin ficar em US$ 8.000 por um longo período, a empresa enfrentará problemas, embora considere essa possibilidade remota.

Outro ponto a ser considerado é o aumento da concorrência. Com o crescimento dos ETFs de Bitcoin, a expectativa é se a Strategy conseguirá manter seu valor em relação ao patrimônio líquido. No curto prazo, a estabilidade de sua dívida é um indicativo positivo, mas é crucial monitorar as condições econômicas gerais, que podem impactar a performance da empresa.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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