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Tether congela US$ 4,2 bilhões e gera debate sobre stablecoins

A Tether, responsável pela maior stablecoin do mundo, deu um passo importante ao congelar cerca de US$ 4,2 bilhões (ou R$ 24,3 bilhões) em tokens USDT que estavam ligados a atividades ilegais. Essa decisão, anunciada recentemente pela empresa, é um sinal de um esforço significativo para alinhar suas operações com as exigências das autoridades globais. Em termos de mercado cripto, essa é uma das ações mais expressivas para limpar ativos indesejados.

Esse movimento acontece em um momento em que a conformidade regulatória se tornou uma das principais barreiras para a entrada de novos investidores institucionais no setor. A Tether, que busca expandir seu uso no varejo, como sua recente parceria com a Whop para promover a adoção de stablecoins, precisa demonstrar controle sobre fluxos financeiros para evitar possíveis sanções. Isso também mostra que, diferentemente do Bitcoin, as stablecoins centralizadas possuem mecanismos robustos de controle.

O que está por trás dessa movimentação?

De maneira simples, o congelamento de fundos funciona como um “bloqueio judicial” instantâneo, mas que é executado pela própria Tether. Quando ativos são bloqueados, os dólares digitais em uma determinada carteira se tornam inutilizáveis, impossibilitando retiradas ou trocas. Essa ação é uma resposta estratégica à pressão de reguladores, especialmente dos Estados Unidos, como o Departamento de Justiça e o Tesouro. Ao trabalhar em conjunto com essas agências para congelar fundos conectados a fraudes e evasões, a Tether busca reforçar sua legitimidade no sistema financeiro. Isso é vital, principalmente porque as transações com stablecoins giram em torno de US$ 1 trilhão por mês, um volume que governos não podem ignorar.

Quais são os dados e fundamentos destacados?

Dados revelados pela Reuters mostram a magnitude dessa ação de limpeza:

  • Volume Congelado: US$ 4,2 bilhões é um valor que ultrapassa a capitalização de muitos projetos cripto reconhecidos.
  • Janela Temporal: A maioria desses congelamentos ocorreu nos últimos três anos, em linha com o endurecimento das normas globais e leis contra a lavagem de dinheiro.
  • Mecanismo Técnico: A intervenção é rápida e ocorre diretamente em contratos inteligentes, permitindo que a Tether aja sem barreiras geográficas.
  • Contexto Competitivo: Essa postura firme da Tether procura reduzir a disparidade de reputação frente a concorrentes já regulamentados, como a Circle, que tem se destacado com o USDC, uma alternativa considerada mais segura.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Para quem investe no Brasil, a situação exige atenção. O USDT é a criptomoeda mais negociada no país, com volumes de operações que frequentemente superam os do Bitcoin. A forte dependência do mercado nacional em relação a essa stablecoin significa que qualquer mudança nas políticas da Tether pode ter um impacto imediato nas operações locais.

Um ponto crucial a considerar é o risco de “contaminação” das carteiras. Aqueles que usam serviços P2P (ponto a ponto) e OTC (over-the-counter) sem processos rigorosos de KYC (Conheça Seu Cliente) podem acabar recebendo USDT proveniente de endereços bloqueados. Se a Tether identificar esse vínculo com atividades ilícitas, pode congelar os fundos de um investidor inocente, e isso pode ocorrer sem aviso prévio. Além disso, com a nova Lei 14.754 e as regulamentações da Receita Federal, é essencial usar ativos com um histórico “limpo” para garantir a tranquilidade fiscal.

Riscos e o que observar

Apesar de a medida ter como objetivo combater crimes, ela também destaca um risco importante nas stablecoins: a censura. Ao manter USDT, o investidor não possui um ativo integralmente seu (como dinheiro em espécie ou Bitcoin em custódia própria), mas sim um ativo que está sujeito aos termos de serviço de uma empresa. Existe o risco, mesmo que pequeno, de bloqueios indevidos ou motivados por questões políticas em determinados locais.

Os investidores devem ficar atentos à frequência com que novos congelamentos são anunciados e qual será a resposta do mercado. Se a Tether começar a bloquear endereços apenas com base em suspeitas, isso pode direcionar a liquidez para stablecoins descentralizadas ou para o concorrente USDC. É importante monitorar também possíveis ações judiciais de usuários que alegam bloqueios incorretos, pois isso pode impactar os limites legais desse poder de controle.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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