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Tether emite US$ 2 bilhões em USDT na Ethereum para liquidez

Tether decidiu emitir US$ 2 bilhões em USDT (cerca de R$ 12 bilhões na cotação atual de R$ 6,00 por dólar) na rede Ethereum ao longo de três dias. Essa movimentação, feita em lotes que podem ser rastreados por meio do Etherscan, chamou a atenção de traders e investidores, pois sinaliza uma potencial demanda por liquidez em dólar digital. Com esse movimento, a oferta total de USDT aumentou para cerca de US$ 190 bilhões (aproximadamente R$ 1,14 trilhão), mantendo a Tether com uma dominância de 57% em um mercado de stablecoins que já ultrapassa US$ 320 bilhões.

Agora, a grande questão que está nas mesas de negociações é: essa emissão de US$ 2 bilhões é uma injeção real de liquidez no mercado ou apenas uma movimentação contábil sem impacto? Vamos entender o que está por trás dessa operação.

O que está por trás dessa emissão?

Imaginemos um grande atacadista que deposita R$ 12 bilhões nas contas do mercado na madrugada de uma sexta-feira, antes do comércio começar. Esse dinheiro ainda não comprou nada, mas já está pronto para ser utilizado assim que as atividades começarem. Assim funciona o mint de USDT: a Tether não injeta novos recursos no mercado imediatamente, mas cria unidades de dólar digital que ficam retidas até que grandes instituições requisitem uso.

A escolha por Ethereum como rede de emissão é significativa. Ao contrário da Tron, que é geralmente usada para transferências entre exchanges asiáticas, o USDT emitido na Ethereum tem como foco os protocolos de finanças descentralizadas (DeFi). Isso sugere que a Tether está se preparando para atender à demanda crescente nesse setor.

Essas movimentações indicam que grandes instituições estão se preparando para usar essa liquidez em um horizonte próximo. Em um cenário em que um lote de US$ 1 bilhão foi registrado em uma única transação, a urgência desse mint se destaca.

O que os dados mostram?

  • Mint Total – A emissão de US$ 2 bilhões na Ethereum ocorreu entre 19 e 21 de abril de 2025, com uma média de emissão de US$ 667 milhões por dia. Esse ritmo acelerado é um sinal claro de uma demanda reprimida no mercado.

  • Oferta total de USDT – A oferta de USDT chegou a US$ 190 bilhões após a emissão, solidificando a posição da Tether como líder amplamente reconhecida no mercado de stablecoins.

  • Dominância de mercado – A Tether mantém 57% do mercado, o que é impressionante, especialmente diante de concorrentes como o USDC e novos entrantes.

  • Preço da Ethereum durante a emissão – O preço da Ethereum foi de US$ 2.107 durante essa janela, sugerindo um ambiente de crescimento que pode indicar interesse em captar mais ativos nativos da rede.

  • Receita da Tether – Em 2025, a Tether gerou US$ 5,2 bilhões em receita, uma base financeira sólida que reforça sua confiabilidade.

O padrão de emissão incomum aponta para uma operação não apenas rotineira, mas que pode antecipar um fluxo real de ordens de compra em um futuro próximo.

O que esperar da emissão de US$ 2 bilhões?

As expectativas variam:

  • Cenário otimista: Se os US$ 2 bilhões forem rapidamente transferidos para endereços de exchanges, a pressão compradora em BTC e ETH deve ser evidente. Nesse caso, o Bitcoin poderia testar resistência entre US$ 90.000 e US$ 95.000.

  • Cenário base: Caso o USDT fique na tesouraria por algumas semanas, a pressão compradora pode não ser tão significativa e o Bitcoin pode se manter entre US$ 82.000 e US$ 88.000.

  • Cenário pessimista: Se a emissão servir apenas para cobrir resgates anteriores, o Bitcoin poderia cair para US$ 78.000, sem novo capital entrando no cenário.

Como isso pode impactar o investidor brasileiro?

Para os investidores brasileiros, essa movimentação tem implicações diretas. Se o capital entrar rapidamente nas exchanges, a pressão compradora em BTC e ETH também deve se refletir nos preços em reais. Por exemplo, um aumento no Bitcoin de US$ 85.000 para US$ 92.000 representaria um ganho considerável em reais.

As plataformas disponíveis no Brasil, como Mercado Bitcoin, Foxbit e Binance Brasil, são opções para negociação direta. Outra possibilidade é investir em ETFs como HASH11 e QBTC11 na B3, evitando assim a necessidade de custódia direta.

Vale lembrar que, em termos tributários, as vendas que excedem R$ 35.000 mensais são sujeitas a recolhimento de impostos, então é sempre bom ficar por dentro dessas regras.

Uma estratégia recomendada para aproveitar a valorização é o DCA (dollar-cost averaging), que envolve fazer aportes periódicos. Essa abordagem ajuda a diluir o risco em momentos de alta volatilidade.

Quais sinais de mercado observar?

  • Transferências da Tether: Ficar atento a qualquer transferência de US$ 500 milhões da tesouraria da Tether para as exchanges nas próximas 72 horas pode indicar movimentação real para negociação.

  • Inflow de USDT: Monitorar os influxos de USDT nas exchanges pode mostrar se há uma absorção real da nova liquidez ou se a movimentação é apenas contábil.

  • Preço do Bitcoin: Acompanhar se o Bitcoin consegue superar os US$ 90.000 com volume consistente será um ótimo indicativo.

  • TVL em DeFi: Acompanhar o total value locked em DeFi pode ajudar a identificar se o novo USDT está sendo utilizado como colateral.

Riscos e o que observar

É importante estar ciente de alguns riscos, como a possibilidade de esses US$ 2 bilhões ficarem retidos na tesouraria por um período prolongado, sem realmente injetar capital novo no mercado. Além disso, a Tether historicamente enfrenta questionamentos sobre as reservas que lastreiam seu ativo, e qualquer dúvida sobre a solidez dos seus fundos pode causar agitações no mercado.

Manter-se informado e atento a esses sinais é essencial para qualquer investidor que deseje navegar nesse ambiente dinâmico e em constante mudança.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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