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Venezuela pode ter US$ 60 bilhões em Bitcoin, indicam rumores

Uma investigação recente da Whale Hunting revelou que a Venezuela pode ter acumulado cerca de US$ 60 bilhões em Bitcoin, o que equivaleria a mais de 600 mil moedas. Essa notícia veio à tona logo após a captura de Nicolás Maduro pelo governo americano, no dia 3 de setembro.

De acordo com a análise, cerca de US$ 40 bilhões desse montante estão relacionados a exportações de ouro feitas em 2018, que somaram 73,2 toneladas. Além disso, a venda de petróleo por meio de criptomoedas nos últimos anos contribuiu para essa soma impressionante.

Fontes ligadas à operação explicaram que houve um esforço planejado para converter os lucros do ouro em criptomoedas, utilizando intermediários da Turquia e dos Emirados Árabes. Essas moedas depois eram movimentadas por mixers e armazenadas em carteiras frias, longe da supervisão ocidental.

Vale ressaltar que em 2018, o preço do Bitcoin variava entre US$ 3.000 e US$ 10.000, o que representa uma valorização de até 3.000% ao longo dos anos. No mesmo período, o governo venezuelano lançou uma criptomoeda vinculada ao petróleo, além de ter criado uma corretora onde os cidadãos podiam negociar não só a Petro, mas também Bitcoin, Litecoin e Dash. Infelizmente, essa corretora foi encerrada no início de 2024, com os saldos convertidos em bolívares.

Em 2020, Maduro já havia declarado que a Venezuela utilizava Bitcoin e outras criptomoedas para comércio internacional, principalmente com a Turquia e o Irã, a fim de contornar as sanções impostas pelos Estados Unidos. Rumores também indicaram que o país estaria minerando Bitcoin de forma secreta, similar ao que o Butão fez antes de se tornar um destaque no setor.

Venezuela teria vendido ouro e petróleo para acumular Bitcoin, apontam rumores

A Whale Hunting apurou que os US$ 60 bilhões em Bitcoin não foram rastreados na blockchain, mas sim através de informações de inteligência. Um nome central nessa história é Alex Saab, um colombiano naturalizado venezuelano que, após se tornar informante da DEA, assumiu o cargo de Ministro da Indústria e Produção Nacional da Venezuela após ser libertado. Outro nome mencionado é David Rubio Gonzales, filho de Álvaro Pulido, que é acusado de lavagem de milhões de dólares para Maduro através de uma rota que levava o ouro ao Brasil e, posteriormente, à Flórida.

A suposta lógica por trás dessa troca de ouro por Bitcoin era facilitar o armazenamento e transporte de ativos valiosos. Em 2018, as 73,2 toneladas de ouro exportadas pela Venezuela foram avaliadas em US$ 2,7 bilhões, podendo ter sido convertidas em criptomoedas.

O Whale Hunting destaca que, à medida que o Bitcoin alcançou seu pico histórico de US$ 69.000 em novembro de 2021, as reservas acumuladas inicialmente poderiam ter se multiplicado entre 7 e 20 vezes. Se o governo convertesse só US$ 3 bilhões em lucros do ouro para Bitcoin, essa quantia valeria hoje US$ 40 bilhões.

Os outros US$ 20 bilhões estariam relacionados a operações da PDVSA, que já utilizava criptomoedas para superar as barreiras impostas pelos EUA. Em dezembro de 2025, cerca de 80% da receita da PDVSA girava em USDT, e apenas 41 carteiras foram congeladas pela Tether, totalizando US$ 119 milhões confiscados. Alex Saab e Álvaro Pulido são mencionados como os envolvidos em desvio de bilhões nas operações.

Com quem estariam esses 600 mil bitcoins da Venezuela caso eles existam?

O artigo da Whale Hunting inclui declarações de Zair Mundaray, ex-promotor que investigou Alex Saab, afirmando que Saab se tornou o “garante da fortuna de Maduro”, espalhando riqueza em diversos ativos e países. Saab foi preso em 2020 em Cabo Verde e extraditado para os EUA no ano seguinte. Após colaborar com o governo americano, ele foi liberado em uma troca de prisioneiros e logo voltou a ocupar um cargo no governo da Venezuela.

Uma dúvida recorrente é quem estaria controlando as chaves privadas desses milhões de bitcoins, caso eles realmente existam. Uma das teorias é que o acesso possa estar dividido entre várias pessoas, como uma medida de precaução caso Maduro fosse preso. O artigo ainda menciona um “advogado suíço” que poderia ter informações cruciais, assim como os já citados Alex Saab e David Rubio Gonzales, que podem saber mais sobre a possível fortuna em Bitcoin.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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