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Worldcoin deve remover escaneamentos de íris dos usuários

O governo da Tailândia tomou uma decisão importante: determinou que o projeto Worldcoin exclua os dados biométricos de mais de 1,2 milhão de cidadãos. Essa ordem veio da Agência Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e foi divulgada na segunda-feira (25) pelo Ministério da Economia Digital.

Esse movimento impacta diretamente o funcionamento do Worldcoin, cujo CEO é Sam Altman, da OpenAI. O governo tailandês argumenta que a coleta de íris para troca por tokens WLD infringe a Lei de Proteção de Dados Pessoais do país. Essa Lei é crucial, pois regula como informações sensíveis podem ser coletadas e compartilhadas por empresas e outras entidades.

As autoridades já haviam olhado com atenção para o projeto Worldcoin um mês antes, quando foram realizar uma operação em um dos locais de coleta de dados. Naquele momento, havia suspeitas de que a empresa poderia estar violando as leis relacionadas a ativos digitais na Tailândia.

Suspensão das operações, mas sem admitir irregularidades

Após a ordem do governo, a Worldcoin decidiu suspender todos os processos de verificação de identidade no país. Além disso, a Tailândia não faz mais parte da lista de locais onde os Orbs — os dispositivos responsáveis pela coleta de íris — estão disponíveis.

Apesar da suspensão, a empresa se manifestou, afirmando em um comunicado que está cumprindo todas as normas locais. “Essa ordem foi emitida mesmo com nosso compromisso com a transparência e a legislação vigente”, explicou a Worldcoin. Entretanto, a empresa também ressaltou que essa interrupção vai afetar milhões de tailandeses que utilizavam a tecnologia para se proteger de fraudes e golpes relacionados à inteligência artificial. A Worldcoin ainda deixou claro que está disposta a dialogar com o Ministério da Economia Digital e a Comissão de Proteção de Dados Pessoais.

Até agora, a desenvolvedora Tools of Humanity, responsável pelo projeto, não comentou sobre a situação.

Worldcoin em meio a desafios globais

Desde seu lançamento, o Worldcoin gerou preocupações em várias partes do mundo. Na Indonésia, por exemplo, o Ministério Digital está investigando suspeitas de irregularidades relacionadas ao registro da empresa. Como consequência, a Worldcoin também teve que interromper suas atividades no país.

Desconfianças semelhantes surgem na Alemanha, Brasil e Quênia, onde as autoridades questionam o uso e armazenamento de dados biométricos. Apesar disso, a Worldcoin se defende, afirmando que sua tecnologia é segura e descentralizada. A companhia também esclarece que os escaneamentos de íris não são armazenados nos Orbs, e sim geram um código que é anonimizado e vinculado apenas à identidade do usuário.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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