Strategy se aproxima do valor do Bitcoin em caixa e gera alerta
A ação da Strategy (MSTR) tem levantado olhares no mercado financeiro, já que atualmente está sendo negociada próxima ao valor de mercado do Bitcoin que a empresa possui. Esse movimento reflete um novo cenário, onde o indicador chamado mNAV, que compara o valor da empresa às suas reservas em BTC, girou em torno de 1,05. Esse cenário é bastante atípico para a Strategy, que historicamente operou com prêmios elevados sobre o Bitcoin.
Então, o que isso significa na prática? Basicamente, o mercado está avaliando a Strategy quase como um “reflexo” do Bitcoin. Assim, não existe um prêmio significativo pela estratégia agressiva de acumulação de criptomoedas que a empresa aplica. Para os investidores brasileiros, essa mudança é importante, pois impacta como se deve ver a MSTR como uma alternativa de investimento em Bitcoin na bolsa internacional.
Esse cenário acontece em meio a uma compressão de múltiplos nas empresas que lidam com tesouraria de criptoativos e ao avanço dos ETFs de Bitcoin, que permitem uma exposição mais direta ao ativo, com custos e riscos mais previsíveis.
O que é mNAV e por que esse nível chama atenção?
O mNAV, ou “multiple of Net Asset Value”, é um indicador que mede quanto o valor de mercado de uma empresa supera ou não o valor real de seus ativos líquidos, que neste caso, são os Bitcoins que a empresa possui. Um mNAV de 1,05 significa que o valor de mercado está apenas 5% acima do valor dos BTCs na conta da empresa, o que é incomum para a Strategy.
Dados recentes mostram que a empresa já chegou a ter um mNAV abaixo de 1,0, o que indica um desconto sobre o valor do Bitcoin em suas reservas — algo que não ocorria desde 2020. Essa compressão vem se intensificando desde fevereiro de 2024, segundo fontes do setor.
No passado, os investidores estavam dispostos a pagar prêmios altos, acreditando na valorização acelerada do Bitcoin e na capacidade da Strategy de captar recursos para novas compras. No entanto, em 2025, essa narrativa começou a esfriar, com a popularização de alternativas mais atraentes.
Compressão de prêmio muda o jogo para investidores?
A Strategy arrecadou mais de US$ 21 bilhões em 2025, através de emissões de ações e produtos estruturados, sustentando sua ideia de acumulação contínua de Bitcoin. Mesmo assim, o questionamento sobre a justificativa para o prêmio elevado começou a surgir, especialmente com os ETFs spot (focados em ativos físicos) se tornando mais líquidos.
Em certos momentos, o valor de mercado da empresa atingiu US$ 94 bilhões, enquanto as reservas em Bitcoin somavam cerca de US$ 78 bilhões, resultando em um prêmio implícito de US$ 16 bilhões. Contudo, essa diferença vem diminuindo, já que o Bitcoin tem se saído melhor do que a ação em si.
Para os investidores brasileiros, essa situação torna a MSTR menos atraente como uma ferramenta indireta para ganhar exposição ao Bitcoin, principalmente se comparada à compra direta da criptomoeda ou a ETFs internacionais.
Riscos, contrapesos e o que observar daqui para frente
Um ponto a se considerar é que a Strategy ainda traz alavancagem: se o preço do Bitcoin disparar, a ação pode responder de forma proporcionalmente maior. Contudo, essa dinâmica depende de um novo apetite dos investidores institucionais e de um cenário de crédito favorável.
Recentemente, já é possível notar um certo ceticismo em Wall Street. Por exemplo, a Cantor Fitzgerald reduziu a previsão de preço da ação de US$ 560 para US$ 229, citando a deterioração do mNAV, como foi noticiado.
Os investidores devem continuar de olho no preço do Bitcoin, nos novos movimentos de captação da Strategy e no fluxo para os ETFs. Se o mNAV continuar próximo de 1, a empresa pode deixar de ser vista como uma aposta de prêmio e passar a ser apenas um reflexo do comportamento do Bitcoin em si.





