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Fundadora da Kalshi critica proibição e seus impactos econômicos

Luana Lopes Lara, fundadora da Kalshi, acredita que a proibição dos mercados de previsão no Brasil é uma escolha que pode trazer muitos problemas. Em uma conversa recente, ela explicou que sua empresa está tentando dialogar com o governo para reverter uma decisão do Banco Central feita em abril que baniria essas práticas.

Luana faz uma observação importante: além de deixar de arrecadar impostos, essa proibição não protege os consumidores e ainda dificulta o controle sobre os fluxos de dinheiro. O que isso significa? Que, na prática, ao proibir esses mercados, o governo acaba perdendo mais do que ganha.

Outras empresas, como a Polymarket, também foram afetadas por essa decisão. E não são só elas: muitos empresários do setor sentem os impactos negativos.

Diferença entre mercados de previsão e jogos de azar

Um dos maiores argumentos contra os mercados de previsão é que eles são considerados uma forma de jogo. O governo brasileiro, por exemplo, citou que a intenção do banimento era “proteger a estabilidade financeira e a saúde mental” da população. Contudo, Luana discorda dessa perspectiva, destacando que a diferença fundamental está nas mecânicas envolvidas.

Enquanto em uma casa de apostas, os usuários apostam contra a empresa, que lucra quando eles perdem, nos mercados de previsão, as pessoas negociam entre si. A Kalshi, segundo Luana, não participa dos trades. Eles funcionam como uma bolsa de valores, permitindo a compra e venda de “ações” sobre eventos futuros. Essa estrutura diferente muda tudo sobre proteção ao consumidor.

Luana ainda acrescenta que esses mercados têm um potencial enorme de serem ferramentas de proteção. Para ilustrar, ela mencionou a final da NBA: se uma equipe vencer todos os jogos em sequência, isso pode impactar a receita de hotéis e bares na cidade. Com o uso dos mercados de previsão, donos desses estabelecimentos podem se proteger contra possíveis perdas financeiras.

Ela também rebate a afirmação de que 70% dos usuários perdem dinheiro nesses mercados. Essa taxa, segundo ela, pode chegar a 95% em outros tipos de investimento, como day trade ou até em casas de apostas.

Além disso, a Kalshi implementou regras rigorosas sobre depósitos e operações para ajudar a lidar com o vício, um problema que afeta diversos segmentos.

Construindo um diálogo com o governo

Luana, que se destaca como uma das mulheres mais jovens a se tornar bilionária ao construir sua própria fortuna, está conversando ativamente com representantes do governo para tentar reverter esse banimento que afeta a Kalshi e outros no setor. Ela afirma que querem operar de maneira legalizada e regulada em todos os países em que atuam.

A fundadora acredita que a situação no Brasil é, acima de tudo, uma oportunidade de educar o público. “Muitos países hoje estão onde os Estados Unidos estavam em 2019”, comenta Luana, referindo-se ao desenvolvimento dos mercados de previsão.

Ela também destaca que, em outros lugares, como nos EUA, a proibição de apostas em eleições levou a um deslocamento do dinheiro para plataformas em paraísos fiscais. Isso acaba prejudicando ainda mais a economia local.

Luana encerra dizendo que, ao proibir, o governo perde muitos aspectos: arrecadação de impostos, proteção ao consumidor e controle do fluxo de dinheiro. Para ela, o ideal é trabalhar em colaboração com as empresas para que possam crescer dentro do país.

Com uma impressionante expansão de 15 vezes nos últimos meses, a Kalshi está em busca de se consolidar. Luana menciona que o objetivo final é realizar um IPO (oferta pública inicial), mas que, neste momento, o foco é no crescimento das operações e das parcerias com outros países.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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