Anbima lança inscrições para projeto de tokenização de debêntures e fundos
A ANBIMA, que é a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, acaba de abrir as inscrições para um projeto bem interessante. A partir de segunda-feira (9), instituições financeiras poderão se inscrever na fase de testes do projeto-piloto de tokenização. O objetivo é explorar o ciclo de vida de debêntures e fundos de investimento dentro de uma rede DLT, que é uma tecnologia que garante mais segurança e eficiência.
As propostas podem ser enviadas até o dia 13 de março, tanto por associados quanto por não associados. Ao todo, a ANBIMA deve selecionar até 20 projetos para participar desses testes e contribuir para o aprimoramento da infraestrutura do nosso mercado de capitais. Os resultados das escolhas serão divulgados no começo de abril.
Eric Altafim, diretor da ANBIMA, vê a tokenização como uma verdadeira revolução tecnológica. Ele acredita que essa iniciativa pode trazer aprendizados importantes sobre como operar de forma mais eficiente e com menos custos. Altafim ressalta que, antes de tomarmos decisões mais complexas sobre nossa infraestrutura financeira, é essencial mostrar valor de maneira simples. Esse projeto busca aproximar o cenário financeiro tradicional das inovações que estão surgindo.
É legal destacar que os experimentos ocorrerão em um ambiente totalmente simulado, ou seja, não haverá movimentação de dinheiro real. Isso garante mais segurança jurídica para todos os envolvidos. Durante os testes, as operações, emissões e liquidações usarão valores fictícios para permitir um aprendizado prático sobre como a tecnologia funciona na prática, além de discutir governança e como padronizar os modelos de tokenização.
Uso de Smart Contracts e Rede DLT Privada
O foco inicial do piloto será a emissão e gestão de debêntures, usando tokens nativos dentro da rede DLT. Essa abordagem vai ajudar a validar a automação e rastreabilidade dos ativos digitais, garantindo que cada token possa ser vinculado ao seu emissor desde o início.
As debêntures foram escolhidas por sua importância na indústria brasileira, que no ano passado já alcançou a impressionante marca de R$ 492,8 bilhões em captação. Os testes com fundos de investimento serão conduzidos por meio de contratos inteligentes, possibilitando operações de ponta a ponta de forma digital. A proposta é ir além da simples tokenização, incorporando também governança e controles automatizados na gestão desses ativos.
Durante o projeto, os participantes também vão avaliar como debêntures e fundos podem coexistir dentro da mesma infraestrutura DLT. Os instituídos selecionados começarão os testes logo após o anúncio de abril e trabalharão na rede por cerca de seis meses. O ciclo experimental está previsto para encerrar em outubro, quando a ANBIMA irá analisar os resultados para traçar os próximos passos nessa jornada de transformação tecnológica. Haverá atualizações regulares para um comitê técnico e também uma capacitação direcionada para as casas que participarem da fase de testes.





