Executivo é condenado por desvio de US$ 35 milhões em criptomoedas
Nevin Shetty, um americano de 42 anos, foi condenado a dois anos de prisão na semana passada. Ele desviou a bagatela de US$ 35 milhões (cerca de R$ 182,7 milhões) para investir em criptomoedas, mas acabou perdendo tudo. O investimento dele foi no ecossistema da Terra (LUNA), que em 2022 causou um verdadeiro efeito dominó, levando várias empresas à falência.
Shetty já tinha sido processado em 2023, e sua pena poderia chegar a 20 anos, com a procuradoria solicitando 9 anos de reclusão.
Diretor financeiro em apuros
O processo revela que Nevin trabalhou como diretor financeiro em uma empresa de software a partir de 2021. A companhia estava levantando capital através de várias rodadas de investimento. Porém, apesar de a política interna exigir investimentos conservadores, Shetty desviou US$ 35 milhões para sua própria empresa, chamada HighTower Treasury.
A ideia dele era colocar esse dinheiro no setor de Finanças Descentralizadas (DeFi), em busca de altos lucros. O plano era devolver apenas uma pequena parte dos ganhos para a empresa, ficando com o resto. E no primeiro mês, parece que as coisas estavam indo bem: ele e seu sócio conseguiram um lucro de US$ 133 mil.
Mas, logo em seguida, o investimento em TerraUSD (UST) desabou, causando uma perda total de capital. A juíza Tana Lin destacou que as ações de Shetty tiveram “efeitos significativos e severos” na empresa que ele quase levou à falência. Ela ainda mencionou que ele estava “brincando com dinheiro que não era seu” e que suas ações afetaram diretamente a vida de 60 funcionários que perderam seus empregos.
Sentença e críticas
O promotor assistente, Philip Kopczynski, argumentou que Shetty havia criado um esquema meticulosamente planejado, motivado pela ganância. Ele pediu uma pena de 9 anos, ressaltando a gravidade da situação que levou à demissão de dezenas de pessoas.
Mesmo assim, o juiz optou por uma pena mais leve, condenando Shetty a apenas dois anos de prisão por quatro acusações de fraude eletrônica. O Primeiro Assistente do Procurador dos EUA, Neil Floyd, não poupou críticas. “O Sr. Shetty tramou descaradamente para encher os próprios bolsos com o dinheiro de seu empregador”, afirmou. Ele acrescentou que, durante todo o processo, Shetty tentou desviar a culpa e até alegou que suas fraudes tinham a intenção de ajudar a empresa, mas suas mentiras não convenceram o júri.





