Baleias compram Bitcoin enquanto inflação dos EUA pressiona mercado
Um novo relatório da Bitfinex divulgado nesta terça-feira (10) destacou que as chamadas baleias, ou seja, carteiras que possuem mais de 1.000 bitcoins, aumentaram suas posições em 8% desde o marco histórico da criptomoeda em outubro do ano passado. Isso mostra que, mesmo em tempos de incerteza, esses grandes investidores estão confiantes.
Por outro lado, a situação econômica nos Estados Unidos pode criar desafios para ativos de risco, incluindo o Bitcoin. Os analistas alertam que, caso os preços do petróleo aumentem, isso pode impactar os custos de energia e forçar o Federal Reserve a elevar os juros. É um cenário que nunca é bom para os mercados financeiros, especialmente para as criptomoedas.
Ainda assim, o Bitcoin tem demonstrado uma “resiliência inesperada”, mantendo-se em alta mesmo diante de conflitos como os no Irã e de dados preocupantes sobre o mercado de trabalho nos EUA.
Preço do Bitcoin guiado pelo mercado à vista
Recentemente, a análise da Bitfinex fez menção ao chamado crash de 10 de outubro, descrito como um dos maiores eventos de liquidação da história e que, ao que tudo indica, vai ser estudado por um bom tempo. Os analistas registraram que o mercado está passando por uma “Grande Desalavancagem”, onde o preço agora é puxado pelo mercado à vista mais do que por derivativos alavancados.
Segundo os especialistas, o clima entre investidores de varejo é bastante cauteloso, especialmente após uma grande queda. Essa atitude fez com que a espuma especulativa praticamente desaparecesse. Isso fica claro pelo Leverage Reset Index (LRI), que atingiu um mínimo de vários anos em 0,32. Essa métrica reflete a relação entre o interesse aberto e as reservas à vista nas exchanges, e sugere que os preços agora estão mais relacionados à demanda real do que a especulações arriscadas.
“Isso indica que a formação de preços agora está sendo guiada pela demanda física no mercado à vista”, ressaltaram os analistas da Bitfinex.
Outra observação interessante que surgiram foi acerca dos ETFs. Investidores institucionais estão saindo de estratégias de carry trade e mudando para uma fase mais estratégica de alocação. Além disso, dados de transações na blockchain mostram que os pequenos investidores, ou grupos de varejo, estão se desfazendo de suas moedas nos últimos 30 dias. Enquanto isso, as baleias continuam aumentando sua exposição ao Bitcoin.
Possíveis impactos no Bitcoin devido ao aumento no preço do petróleo
Os analistas da Bitfinex também trouxeram à tona um estudo do Banco Central americano que afirma que a cada aumento de US$ 10 no preço do petróleo, a inflação pode crescer 0,2% nos EUA.
Caso o petróleo atinja os US$ 120 e se mantenha nesse nível, há uma preocupação de que o Federal Reserve pode ser obrigado a adotar uma postura mais rigorosa, o que ficaria em descompasso com a ideia de recuperação do Bitcoin.
Por outro lado, o documento sugere que, se os custos de energia se estabilizarem, a narrativa do Bitcoin como um “ouro digital” pode ganhar ainda mais força.
Por fim, a Bitfinex observou que a volatilidade implícita das opções de Bitcoin está alta, mas não a ponto de alarmar. As opções com vencimento mais próximo estão exibindo mais volatilidade em comparação às de prazos mais longos. Isso indica que o mercado está precificando uma incerteza imediata, relacionada à reunião do Federal Reserve em 18 de março e ao conflito no Oriente Médio, enquanto mantém uma visão mais otimista para o futuro.





