Fed alerta sobre riscos das stablecoins e pede mais fiscalização
Michael Barr, um dos principais nomes do Fed, está bem atento ao crescimento das stablecoins. Recentemente, durante um debate em Washington, ele trouxe à tona os benefícios de um possível dólar digital privado, mas também não deixou de destacar os riscos, especialmente em relação à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.
As stablecoins já estão avaliada em impressionantes US$ 320 bilhões. Isso acontece porque, nos Estados Unidos, ainda não temos um sistema de pagamentos realmente eficiente. A expectativa é que essas moedas digitais ganhem mais espaço, tanto no mercado interno quanto entre estrangeiros, especialmente no universo cripto.
O Fed, que no fundo é um dos responsáveis por regular esse setor, faz com que as preocupações de Barr façam bastante sentido.
Fed reconhece usos e vantagens das stablecoins
Barr começou seu discurso elogiando a aprovação do Genius Act no ano passado, que trouxe clareza sobre as regras do jogo para as stablecoins. Ele comentou que essas moedas são usadas principalmente para facilitar a compra e venda de outras criptomoedas.
Além disso, ele destacou que as stablecoins também servem como uma espécie de reserva de valor em dólares para quem está fora do país. A redução nos custos de remessas internacionais e a rapidez em processos de comércio global são mais alguns pontos positivos. Para empresas, elas podem ajudar a melhorar a gestão financeira.
Barr até fez questão de mencionar que a utilização de stablecoins pode abrir portas para novas inovações no sistema de pagamentos, como depósitos tokenizados.
Barr cita riscos das stablecoins
Porém, nem tudo são flores. Barr também abordou os riscos associados às stablecoins. Como qualquer tecnologia, elas podem ser usadas para o bem ou para o mal. Entre os principais riscos, ele citou o uso para lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. Embora às stablecoins possam ser confiscadas, elas oferecem uma privacidade maior em comparação com contas bancárias. Isso faz com que seja necessário realizar investigações complexas para rastrear irregularidades.
“Agentes mal-intencionados podem adquirir stablecoins sem o devido controle de identificação. Precisamos adotar soluções regulatórias e tecnológicas para minimizar esses problemas”, ressaltou Barr.
Outra preocupação de Barr está relacionada à qualidade das reservas dessas moedas. Ele enfatizou que as stablecoins só conseguirão cumprir seu papel se o resgate puder ocorrer de forma rápida e confiável, mesmo em situações de estresse no mercado.
Barr lembrou que no século XIX, os EUA tinham dinheiro concorrente às cédulas bancárias, que muitas vezes valiam menos do que o prometido. Apesar de melhorias ao longo dos anos, crises de liquidez continuaram a ocorrer, resultado na criação do Federal Reserve System em 1913.
Atualmente, o cenário é bem positivo para as stablecoins, que têm visto um crescimento acentuado. As empresas que emitem essas moedas têm lucros substanciais, ajudadas pelo bom rendimento dos títulos do Tesouro americano.
“Esse incentivo pode ser bom em tempos tranquilos, mas apresenta o risco de minar a confiança durante períodos de turbulência no mercado”, alertou Barr.
Ele concluiu que, embora a aprovação do Genius Act seja um grande passo, é agora que devemos atentar aos detalhes da implementação regulatória para lidar com os riscos envolvidos.





