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Hash rate e dificuldade: entenda suas funções essenciais

Um minerador solo de Bitcoin (BTC) fez o que muitos consideram um grande feito: ele conseguiu resolver um bloco sozinho, garantindo um prêmio de US$ 225 mil (cerca de R$ 1,35 milhão na cotação atual). Isso aconteceu na última quinta-feira, e foi a 313ª vitória solo registrada pelo serviço CKPool. Para se ter uma ideia, isso veio apenas uma semana depois que outro minerador também faturou US$ 210 mil (aproximadamente R$ 1,26 milhão) pelo mesmo feito. A frequência dessas conquistas vem chamando a atenção de quem acompanha o mundo das criptomoedas.

O que torna esse caso ainda mais impressionante é o poder computacional que foi utilizado: apenas 70 terahashes por segundo (TH/s), que corresponde a um mínimo de 0,00000667% do desempenho total da rede Bitcoin. O desenvolvedor do CKPool, que usa o pseudônimo Dr-ck, mencionou que, em termos de probabilidades, um minerador com esse poder tem apenas uma chance em cerca de 100.000 de resolver um bloco em um único dia. Para se ter uma ideia, a probabilidade de isso acontecer é como ganhar na loteria uma vez a cada 300 anos.

Por que esses jackpots são tão interessantes?

Embora vitórias ainda aconteçam de tempos em tempos, a crescente frequência delas é o que realmente chama a atenção. Em outubro de 2025, um minerador com apenas 6 TH/s – quase a potência de um equipamento doméstico – resolveu um bloco e faturou 3,146 BTC, avaliados em aproximadamente US$ 266 mil (cerca de R$ 1,6 milhão). O que é ainda mais intrigante é que a probabilidade de um feito como esse é de uma em 180 milhões de tentativas.

Recentemente, justamente na semana que antecedeu essa vitória, o hash rate total da rede Bitcoin subiu quase 15% em 24 horas. Embora isso faça com que as conquistas individuais sejam ainda mais improváveis, o fato de elas estarem se tornando mais frequentes é preocupante e fascinante ao mesmo tempo. Um aumento na competição, com mais poder computacional, acaba tornando as chances de um minerador pequeno praticamente desprezíveis, aumentando o abismo entre ele e as grandes operações industriais.

Imaginando a mineração como uma loteria

Para facilitar a compreensão sobre a mineração de Bitcoin, pense na Mega-Sena. Cada bilhete que um jogador compra aumenta suas chances de ganhar. Na mineração, o equivalente ao bilhete é o hash rate: é a quantidade de vezes em que seu equipamento tenta adivinhar o número correto que resolve um bloco. Enquanto grandes pools de mineração compram bilhões de “bilhetes” por segundo, o minerador que venceu essa semana comprou apenas uma fração, 70 trilhões.

A diferença é que, para garantir que um bloco seja solucionado a cada cerca de 10 minutos, o Bitcoin ajusta a dificuldade constantemente. Se mais mineradores entram na rede, a dificuldade aumenta para equilibrar as coisas. Isso significa que a cada ajuste, é como se a quantidade de números a serem adivinhados aumentasse, e o processo se tornasse mais desafiador.

O que os números estão dizendo?

Vamos olhar de perto alguns dados que ajudam a entender a cena da mineração de Bitcoin em 2026:

  • HASH RATE DO MINERADOR: O minerador com 70 TH/s tinha acesso a apenas uma fração do total. Para comparação, uma máquina comum pode entregar cerca de 234 TH/s.

  • RECOMPENSA ATUAL: Após o halving de 2024, a recompensa por bloco caiu para 3,125 BTC. Dependendo do congestionamento, essa recompensa pode incluir até taxas de transação, tornando a recompensa total algo próximo de US$ 228 mil.

  • FREQUÊNCIA HISTÓRICA: Desde 2013, o CKPool acumulou 313 blocos solo em uma média de menos de 25 por ano. Aumentos recentes na frequência desse fenômeno indicam uma possível mudança na dinâmica.

  • CRESCIMENTO DO HASH RATE: O aumento de quase 15% em um único dia, antes da vitória dessa semana, sugere uma correria das grandes fazendas de mineração, refletindo a alta de investimento no setor.

O impacto para o mercado e investidores

Ganhar prêmios sozinhos em mineração pode não ter um grande impacto imediato no preço do Bitcoin. A adição de 3,125 BTC à circulação não movimenta um mercado de US$ 1,4 trilhão. Contudo, essas vitórias levantam discussões importantes sobre a descentralização da mineração, um dos princípios centrais do Bitcoin. Quando mineradores pequenos são capazes de competir, isso reforça a narrativa de que ainda há espaço para um jogador individual, ao contrário do que acontece com grandes pools industriais que dominam a cena.

Para o investidor brasileiro que pensa em minerar, esse evento pode inspirar, mas também serve como um lembrete honesto. A vitória de 70 TH/s foi real, mas as chances de conquista são igualmente realistas. Equipamentos que operam nessa faixa de potência, como um Bitmain Antminer S19j Pro, podem custar entre R$ 8.000 e R$ 15.000. Além disso, os custos com eletricidade podem chegar a R$ 2.500 ou mais por mês em algumas áreas do Brasil, sem contar manutenção e depreciação do hardware.

Uma opção mais acessível para quem quer se expor à mineração é investir em ETFs de mineradoras na B3, como o HASH11, ou comprar BTC diretamente em exchanges reguladas. Porém, é importante ficar atento às regras tributárias que precisam ser seguidas para evitar surpresas.

Qual o caminho a seguir?

Para quem está de olho no futuro da mineração e suas implicações nos preços do Bitcoin, algumas métricas são cruciais:

  • HASH RATE TOTAL: Atualmente, está em torno de 900 a 1.050 EH/s, e um aumento contínuo pode indicar uma próxima correção no mercado.

  • AJUSTE DE DIFICULDADE: Esse ajuste acontece a cada 2.016 blocos, ou cerca de duas semanas. Com um hash rate elevado, a dificuldade também aumenta, tornando mais desafiador para mineradores individuais.

  • TAXAS MÉDIAS DE BLOCO: Elas variam com a demanda e podem impactar a rentabilidade da mineração.

  • PRÓXIMO HALVING: O quinto halving está previsto para abril de 2028, o que reduzirá a recompensa por bloco.

  • CKPOOL SOLO COUNTER: Observar a contagem de blocos solo ao longo do tempo oferece insights sobre a participação de mineradores pequenos na rede.

Atenção aos riscos

Apesar do feito incrível do minerador solo, é essencial entender os riscos envolvidos. O principal deles é o custo de oportunidade. Investir em hardware e eletricidade pode não ser a melhor estratégia quando, historicamente, comprar BTC diretamente pode ser mais rentável.

Além disso, a regulamentação no Brasil exige a declaração de rendimentos de mineração, e há riscos tecnológicos, já que o hardware de mineração fica obsoleto rapidamente. Avaliar o comportamento do hash rate é igualmente importante, pois grandes saltos podem indicar correções.

Portanto, enquanto algumas histórias de sucesso nos lembram das possibilidades, é fundamental observar o panorama maior e agir com cautela.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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