Estudo revela que 26% das stablecoins são transferências reais
A recente análise sobre as stablecoins trouxe pontos importantes à tona. Um relatório da Crystal Foresight revelou que, do total de R$ 10 trilhões em transações da última semana, apenas R$ 2 trilhões representaram envios reais. Isso levanta um alerta sobre o estado atual do mercado de criptoativos, que nem sempre reflete a realidade do uso diário.
Criptomoedas como a USDC processaram volumes bem significativos, mas esses números não correspondem à adoção prática pelas pessoas. Embora tenha registrado R$ 9 trilhões em movimentações, menos de 6% disso foi em transações autênticas realizadas por indivíduos comuns. Os adeptos da tecnologia blockchain enxergam nesse cenário uma dependência excessiva de sistemas de código fechado, que podem não ser tão transparentes.
Por outro lado, a USDT se destacou por manter a liderança nas transações, com uma boa parte de repasses que realmente chegaram às mãos de usuários. Sua capacidade de processar valores expressivos, fora da especulação dos protocolos, mostra que algumas criptomoedas ainda conseguem trazer benefícios reais às pessoas, em contrapartida com certas práticas de mercado que aumentam números para aparentar força.
Dinâmica de oferta e liquidações na rede
As stablecoins estão enfrentando variações bruscas em sua participação no mercado. Tokens como o RLUSD e o PYUSD apresentaram uma queda acentuada, refletindo um uso prático muito menor por investidores comuns. Essa oscilação sugere mudanças significativas na maneira como as pessoas veem e utilizam essas moedas como reserva de valor.
No caso do USDS, a oferta aumentou em R$ 2 bilhões, mas, curiosamente, a quantidade de envios que realmente aconteceram ainda é pequena. A maior parte desse volume foi direcionada a contratos que geram juros em plataformas de tecnologia blockchain. Essa discrepância entre a ampliação da oferta e a real utilidade levanta questões sobre os objetivos originais dessas stablecoins.
Entre as opções de médio porte, algumas estão se destacando pela qualidade de uso. O EURE, por exemplo, viu sua utilidade crescer junto com o aumento do volume de transferências. Porém, a diferença entre as transações do dia a dia e a provisão de liquidez pode confundir o mercado, trazendo números que não refletem a realidade.
Métricas reais contra a ilusão de crescimento
Um padrão interessante que surgiu é que, mesmo com a queda na participação orgânica, sete stablecoins registraram um aumento no volume total de envios. Isso indica que o crescimento observado muitas vezes é resultado de mecanismos de protocolo, e não de pagamentos feitos entre usuários na prática. Assim, os investidores acabam tomando decisões com base em dados que podem estar distorcidos pela intensa atividade na tecnologia blockchain.
Criptomoedas como o DAI estão enfrentando dificuldades porque muitos usuários se afastam das plataformas tradicionais em busca de novas oportunidades. Esse movimento faz com que o envio orgânico, no qual as transações são feitas por indivíduos, fique em segundo plano. Em vez disso, as pessoas priorizam os lucros oferecidos por novas opções no mercado.
A expansão artificial de volume pode influenciar a percepção das autoridades sobre a relevância das stablecoins na vida cotidiana. O problema é que esses dados, usados para medir riscos, podem transmitir uma ideia errada do impacto que essas moedas têm nas finanças das pessoas. O que se vê é uma multiplicidade de movimentações voltadas mais para grandes fundos do que para indivíduos.
O relatório sugere que a adoção verdadeira das stablecoins precisa ir além das simples trocas em exchanges digitais. Para que o ecossistema financeiro avance, é necessário que essas moedas ganhem um papel mais significativo nas compras do dia a dia da população.
Essa análise nos leva a reconsiderar como o sucesso das plataformas é avaliado. O volume bruto deixou de ser um indicador confiável da adesão das stablecoins na prática. O futuro da economia descentralizada depende, portanto, de ferramentas que realmente servem a um propósito prático para as pessoas.





