Notícias

Fraudes no Pix provocam perdas de R$ 4,9 bilhões e nova fase do Med 2.0

A nova fase do Mecanismo Especial de Devolução do Pix, conhecida como MED 2.0, chegou com um pacote de ferramentas mais robustas para combater fraudes financeiras. Essa atualização promete aumentar a capacidade de rastreamento e bloqueio de valores suspeitos, colocando a responsabilidade nas mãos de bancos, fintechs e instituições de pagamento. Agora, eles precisam reforçar suas estratégias para governança antifraude e agilidade na resposta a incidentes.

Uma das grandes inovações do MED 2.0 é a possibilidade de rastrear melhor o fluxo do dinheiro entre diversas contas. Isso significa que, se uma transação for identificada como suspeita, os valores podem ser bloqueados automaticamente por até 11 dias enquanto são investigados. Até então, a possibilidade de recuperação era bastante limitada, especialmente porque os recursos eram rapidamente movimentados entre contas.

De acordo com o Banco Central, antes do MED 2.0, as instituições conseguiam recuperar apenas 9,3% do valor contestado. A situação só se agravava: em 2024, as fraudes relacionadas ao Pix geraram perdas de R$ 4,941 bilhões, um aumento considerável de 70% em relação ao ano anterior. Apenas no mesmo ano, foram rejeitadas mais de 3 milhões de solicitações de devolução, muitas vezes porque a conta que recebeu o dinheiro estava sem saldo.

Luiz Claudio, CEO da LC SEC, destaca que, apesar das melhorias, os golpes continuam a acontecer e exploram táticas como engenharia social e contas de passagem. Segundo ele, o novo sistema facilita a recuperação após o golpe, mas não resolve os problemas de origem. É essencial que as instituições financeiras aprimorem a detecção de fraudes logo no início das transações, pois a rapidez na identificação pode ser crucial para evitar prejuízos maiores.

Entre julho de 2024 e junho de 2025, cerca de 24 milhões de brasileiros sofreram com fraudes envolvendo Pix ou boletos, contabilizando perdas de quase R$ 29 bilhões, conforme dados discutidos no Senado. Para Luiz Claudio, essa tendência de regulamentação crescente pressiona as instituições a se tornarem mais maduras em suas operações. O tema vai além da operação diária, englobando aspectos de segurança da informação, jurídico, conformidade e atendimento ao cliente. Se uma instituição demora a reagir, o dinheiro já pode ter viajado por várias contas, tornando a recuperação mais difícil.

A lei dá até 11 dias para o bloqueio preventivo, o que é uma ajuda significativa, mas, segundo ele, é preciso ter um sistema que funcione em tempo real. Detectar comportamentos suspeitos deve ser prioridade, antes mesmo que a vítima perceba qualquer golpe.

Um desafio comum enfrentado pelas empresas é a falta de integração entre as áreas que lidam com fraudes. Muitas organizações têm ferramentas para combate à fraude, mas a comunicação entre segurança, atendimento ao cliente e tecnologia ainda é falha. Isso significa que, mesmo quando um comportamento suspeito é identificado, a resposta pode demorar, permitindo que a fraude continue.

Além do impacto financeiro, também aumenta a preocupação regulatória e reputacional das instituições. O MED 2.0 deve acelerar investimentos em áreas como monitoramento de transações, inteligência contra ameaças e governança de acessos. Embora a resposta a um golpe tenha melhorado, a prevenção ainda depende de um monitoramento constante, educação digital e validação de identidades. Sem um plano claro de resposta a fraudes, cada ocorrência pode se tornar uma situação improvisada, e, em um sistema como o Pix, improviso significa perder tempo — e, consequentemente, dinheiro.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo