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Estudo de Mayall e Hashdex sustenta tese austríaca do Bitcoin

João Paulo Mayall, conhecido como um dos pioneiros do Bitcoin no Brasil, acaba de lançar um estudo que pode mudar a forma como olhamos para a inflação. Junto com Gerson de Souza Júnior, um expert em economia, eles revelaram resultados intrigantes sobre a relação entre a expansão da oferta monetária e os índices de preços, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. A pesquisa mostra que a inflação é, essencialmente, um reflexo dessa expansão, algo que os teóricos da Escola Austríaca já defendem há muito tempo.

O artigo, intitulado “An Asymmetric Weighted Moving Average for Monetary Aggregates: Evidence from the United States and Brazil”, traz uma nova abordagem para medir a liquidez monetária. Ao analisar dados que vão de 1959 até 2026 nos EUA e de 2002 até 2026 no Brasil, os autores utilizam três agregados monetários diferentes para explorar essa dinâmica. Mayall destaca que o que vemos no índice de preços ao consumidor (CPI) não é a causa, mas sim uma consequência que chega com atraso.

Para entender esse fenômeno melhor, vale a pena mencionar um detalhe interessante da pesquisa. Quando os autores analisam a correlação entre a expansão do M2 (que representa uma das medidas de oferta de moeda) e o CPI americano, os números praticamente não se conectam no momento atual. No entanto, se observamos os dados com uma defasagem de 25 meses, essa conexão salta para um nível significativo. E no Brasil, essa defasagem é de 15 meses, mostrando uma relação mais clara.

O dado que muda a leitura da inflação

Tradicionalmente, estudos de economia, como os de Milton Friedman, já apontavam que mudanças na oferta de moeda demorariam a impactar os preços. Mayall e Souza Júnior foram além, revelando que a defasagem pode ser ainda mais longa do que se pensava, variando de 21 a 26 meses nos EUA e cerca de 15 meses no Brasil. Isso significa que, se você basear suas decisões financeiras apenas no CPI, na verdade, estará reagindo a mudanças que já ocorreram há bastante tempo.

Além disso, o estudo também destaca como os diferentes agregados monetários podem capturar diferentes períodos de mudanças econômicas. Por exemplo, o TMS-2 reflete momentos de desregulamentação nos anos 1980, enquanto o Divisia M4 mostra as consequências da crise de 2009. Essas nuances são essenciais para entender o que realmente está acontecendo na economia.

Quem é João Paulo Mayall

João Paulo Mayall é um nome muito respeitado quando se fala de Bitcoin no Brasil. Ele cofundou a QR Capital e lançou o primeiro ETF de Bitcoin da América Latina, além de outros ETFs de criptomoedas. Recentemente, ele vendeu sua participação na QR Capital e se dedicou à pesquisa acadêmica e à análise de macroeconomia. É uma trajetória que mostra sua profunda conexão com o mercado financeiro e digital.

Junto a ele, Gerson de Souza Júnior traz uma bagagem de conhecimento como PhD em economia e profissional na Hashdex, uma das principais gestoras de ativos digitais do planeta. Juntos, eles unem teoria com prática, apresentando insights que vão além do que seria esperado em pesquisas acadêmicas.

Quatro papers, um programa de pesquisa

Este estudo é o quarto publicado por Mayall na SSRN desde sua saída da QR Capital, e faz parte de um projeto mais amplo que busca entender a relação entre moeda, inflação e ativos digitais. Em seus trabalhos anteriores, ele já havia explorado como a expansão monetária afeta a inflação e validado teorias da Escola Austríaca em relação ao Bitcoin.

O primeiro artigo, por exemplo, tratou da conexão entre a expansão da oferta monetária e a inflação. Outro estudo focou em como o Bitcoin se encaixa na história da teoria monetária. Cada um desses trabalhos contribui para um entendimento mais amplo do papel que a moeda desempenha na economia moderna.

Quando Washington e Wall Street citaram o paper

O alcance do último estudo de Mayall foi imediato. O secretário do Tesouro americano mencionou as ideias do paper em uma entrevista, enquanto a senadora Cynthia Lummis também fez referência às propostas de Mayall sobre o aumento da adoção do Bitcoin. Essa repercussão mostra como conceitos que já se discutem no Brasil estão ganhando atenção internacional e desencadeando debates importantes sobre a economia global.

A interação com figuras de peso do mercado, como Brent Johnson, também ilustra como essas ideias se entrelaçam e promovem debates sobre a relação entre ativos como o ouro e as reservas financeiras.

O paper de inflação fecha o quarto vértice

Esse último estudo oferece uma visão refinada sobre a defasagem entre a impressão de moeda e a resposta dos preços ao consumidor. Com todos os quatro papers, Mayall traça um panorama que sublinha a ideia de que a verdadeira natureza da inflação está ligada diretamente à dinâmica monetária. Esse é um argumento que desafia percepções tradicionais e ajuda a entender o papel crescente do Bitcoin na economia moderna.

O que vem pela frente

Quando perguntado sobre seus próximos passos, Mayall manifestou interesse em projetos de longo prazo e continua investindo na produção acadêmica. Ele já é reconhecido como uma referência no diálogo entre a economia austríaca e o universo das criptomoedas, e seu trabalho promete influenciar discussões futuras nesse espaço.

Para os interessados, o estudo completo e os anteriores estão disponíveis gratuitamente e podem oferecer insights valiosos sobre a evolução do pensamento econômico contemporâneo.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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