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Big techs e Bitcoin: resultado do Nasdaq pode impactar mercado

Microsoft, Alphabet, Meta, Amazon e Apple, essas gigantes da tecnologia, vão apresentar os resultados do primeiro trimestre de 2026 nesta semana. Juntas, elas têm um valor de mercado que ultrapassa os US$ 12 trilhões (cerca de R$ 69,6 trilhões). O grande dia será na quarta-feira, dia 29 de abril, quando as quatro primeiras divulgarão seus números após o fechamento dos mercados em Nova York. A Apple segue na quinta-feira, 30 de abril.

Mas a atenção dos investidores não está exatamente nos lucros ou nas margens de lucro. O foco agora é nos planos de investimento em inteligência artificial, que viraram o assunto mais discutido nas mesas de operações. O mais interessante disso tudo é que o Bitcoin, um ativo digital que costuma ter seu próprio ciclo, passou a reagir aos anúncios de orçamento das big techs, mostrando uma relação muito mais próxima com o desempenho do Nasdaq 100 — uma mudança significativa em relação a anos anteriores.

A pergunta que está na cabeça de muitos é se os resultados das grandes empresas vão impulsionar uma alta no Bitcoin ou se confirmará um distanciamento entre criptomoedas e ações.

O que explica essa movimentação?

Imagine a Bolsa de Mercadorias de Araçatuba, onde a oferta e a demanda do boi gordo são afetadas rapidamente. Se um grande frigorífico anuncia a expansão de sua capacidade de abate, os pecuaristas ajustam os preços do boi antes mesmo das mudanças físicas acontecerem. A lógica é a mesma com o Bitcoin e o Nasdaq.

Quando uma big tech declara um investimento bilionário em IA, os investidores entendem isso como um sinal positivo para ativos mais arriscados. O Bitcoin, que agora é visto como um ativo de risco semelhante às ações de tecnologia, acaba atraindo parte desse capital. Isso mostra uma transição no perfil de quem compra Bitcoin, com a entrada de fundos que normalmente investem em ações de gigantes como Nvidia e Microsoft.

No ano passado, quando o Nasdaq teve um percurso de altas consecutivas, o apetite por riscos no mercado de Bitcoin não foi diferente. Altas nos índices levaram os gestores a rever seus portfólios, ampliando a exposição a ativos voláteis. Porém, isso se inverteu em janeiro de 2026, quando a Microsoft desapontou os investidores.

O que os dados revelam?

  • CORRELAÇÃO BITCOIN-NASDAQ 2024: Em 2024, a relação média entre Bitcoin e Nasdaq 100 era de apenas 0,23. Muitos analistas viam o Bitcoin como um ativo descorrelacionado, o que se provou arriscado na hora de manter posições em ações de tecnologia durante correções.
  • CORRELAÇÃO BITCOIN-NASDAQ 2025: No ano seguinte, a relação subiu para 0,52. Essa mudança foi impulsionada pela aprovação dos ETFs de Bitcoin nos EUA, que atraíram um novo grupo de investidores que também tinham ações de tecnologia.
  • CORRELAÇÃO JANEIRO 2026: Em janeiro de 2026, essa correlação atingiu 0,75, mostrando que o Bitcoin funcionava quase como um índice das ações de tecnologia no curto prazo. Assim, uma queda de 1% no Nasdaq costumava resultar em uma queda de 1,2% a 1,5% no Bitcoin.
  • MICROSOFT JANEIRO 2026: Quando a Microsoft revelou resultados decepcionantes, sua ação caiu mais de 10%, impactando o preço do Bitcoin, que despencou para perto de US$ 83.460 (cerca de R$ 483.668). Isso aconteceu sem nenhuma mudança interna no mercado cripto, mas devido a uma onda de pessimismo que se espalhou.
  • CAPEX META 2026: A Meta anunciou investimentos entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em 2026, o que representaria um aumento de pelo menos 59% em relação ao ano anterior. Esses números indicam uma confiança robusta na demanda por IA.
  • CAPEX AMAZON 2026: A Amazon planeja US$ 200 bilhões em investimentos, um aumento de mais de 50% em relação ao ano anterior. Isso não só sinaliza a demanda por IA, mas também mostra a disposição da empresa de enfrentar menores lucros a curto prazo para um crescimento mais sólido no futuro.
  • GASTO COMBINADO NO Q1 2026: Microsoft, Alphabet, Meta e Amazon devem gastar mais de US$ 160 bilhões em IA nesse primeiro trimestre, o que representa uma injeção de capital que beneficia a cadeia de semicondutores e serviços em nuvem, sustentando tanto o Nasdaq quanto o Bitcoin.

Esses dados revelam que o Bitcoin de hoje é diferente do de 2020. A entrada de capital institucional através de ETFs criou uma conexão direta entre o sentimento do setor de tecnologia e os preços do Bitcoin.

Resultados das big techs vão sustentar um rali do Bitcoin ou confirmar descolamento?

Cenário otimista: Se as grandes empresas superarem as expectativas com suas previsões de investimento, o Nasdaq pode abrir com alta superior a 2%. O Bitcoin pode romper a resistência em US$ 97.000 (R$ 562.600), levando a testar entre US$ 103.000 e US$ 107.000 até o fim da primeira semana de maio.

Cenário base: Se os resultados ficarem dentro do esperado, o Nasdaq poderá oscilar entre -1% e +1%, e o Bitcoin permanecer entre US$ 92.000 e US$ 97.000 (R$ 533.600 a R$ 562.600). O mercado vai ficar na expectativa de novas informações antes de decidir a direção.

Cenário bearish: Se alguma das empresas desapontar, o Nasdaq pode cair mais de 3%, levando o Bitcoin a recuar para uma faixa entre US$ 83.000 e US$ 85.000 (R$ 481.400 a R$ 493.000). No entanto, um sinal positivo no guia de investimentos de qualquer uma das empresas pode mudar essa narrativa.

O que muda na estrutura do mercado?

Efeito de primeira ordem: Os preços respondem rapidamente após os anúncios, com o Bitcoin seguindo o Nasdaq em tempo real. Com a evolução dos algoritmos, essa janela para traders que operam BTC está cada vez menor.

Efeito de segunda ordem: Se os resultados confirmarem um ciclo de investimento, os fundos globais tendem a aumentar as exposições a ativos de risco, incluindo Bitcoin através de ETFs. O fluxo de entrada em ETFs é um termômetro do apetite institucional.

Efeito de terceira ordem: A consolidação da correlação entre Bitcoin e Nasdaq vai afetar como gestoras constrõem seus portfólios, tratando o BTC como um ativo de risco junto a ações de tecnologia.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Se você possui 0,1 BTC, que equivaleria a cerca de R$ 56.100 com o Bitcoin a US$ 95.000 (R$ 551.000), saiba que está exposto ao risco dos resultados das corporações americanas. Caso a Microsoft surpreenda negativamente, sua posição pode perder cerca de R$ 4.488 em poucas horas, mesmo sem mudanças no mercado cripto brasileiro.

A variação cambial também amplifica esse efeito. Por exemplo, uma queda de 8% no Bitcoin, em dólares, junto com uma alta de 3% do dólar em relação ao real, pode resultar em uma perda total de aproximadamente 11%. Para quem opera em plataformas nacionais como Mercado Bitcoin ou Binance Brasil, o ideal é monitorar os resultados que saem após o fechamento do mercado americano. O Bitcoin tende a reagir rapidamente, então ter ordens abertas sem proteção pode ser arriscado.

Se você investe via ETFs na B3, como HASH11, a exposição é indireta, mas a proteção da liquidez é uma vantagem. A desvantagem é que você pode só ver o ajuste de preço no pregão seguinte, podendo haver gaps significativos.

A melhor estratégia para quem não opera profissionalmente é simples: mantenha um aporte mensal fixo, evite aumentar posições próximo a eventos de risco e esteja atento aos alertas de preço nos níveis de suporte. Em períodos de alta incerteza, evite alavancagem — isso pode resultar em perdas rápidas.

A tributação sobre lucros com cripto no Brasil deve ser feita conforme a Lei 14.754/2023. Vendas acima de R$ 35.000 estão sujeitas à taxa de 15% a 22,5%, e é fundamental lembrar de provisionar o imposto.

Quais limiares financeiros importam agora?

  • US$ 97.000 (R$ 562.600): Um nível onde o Bitcoin teve resistência alta recentemente. Romper esse patamar com volume acima da média sinalizaria que o mercado está precificando um guia positivo.
  • US$ 92.000 (R$ 533.600): Região de interesse dos compradores institucionais. Perder esse nível pode levar a testes mais baixos.
  • US$ 85.000 (R$ 493.000): Próximo ao mínimo visto após os resultados da Microsoft. Cai abaixo disso, e a situação pode piorar consideravelmente.
  • Nasdaq 100 em 19.500 pontos: Um termômetro para o sentimento do risk-on. Fechar acima disso é um sinal positivo para o Bitcoin.
  • Guidance de capex acima de US$ 160 bilhões: Um impulso necessário para que o mercado reaja positivamente, especialmente da Amazon.
  • Fluxo de ETFs acima de US$ 300 milhões: Entradas significativas confirmariam que investidores estão recebendo os resultados de forma otimista.

Riscos e o que observar

“Risco do Decepcionante Simultâneo”
Se duas ou mais big techs desapontarem nos investimentos em IA, isso pode gerar um choque no sentimento do mercado, dilacerando a confiança do Bitcoin. É importante monitorar essa possibilidade e estar preparado.

“Risco do Descolamento Assimétrico”
A relação entre criptomoedas e ações não é sempre confiável. Se um evento negativo afetar o mercado cripto enquanto os resultados das big techs forem positivos, o Bitcoin pode se comportar de maneira diferente.

“Risco do Fed Hawkish Pós-Earnings”
Se o Federal Reserve indicar que vai manter juros altos por mais tempo, isso pode pressionar tanto o Nasdaq quanto o Bitcoin.

“Risco do Câmbio Amplificador Brasileiro”
Os investidores brasileiros devem estar atentos à variação do câmbio. Uma valorização do dólar, em conjunto com uma queda no Bitcoin, pode gerar perdas expressivas.

Esses aspectos montam um panorama que é bastante dinâmico e requer atenção constante nas próximas semanas.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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